Um comentário sobre Aredhel

Eu postei isso, no meio de outras coisas, na lista da Toca São Paulo do Conselho Branco agora a pouco – e decidi copiar aqui para manter registrado. Vou editar algumas coisas, para fazer um pouco mais de sentido:

Nos idos de 2004/5/6 eu era absolutamente fascinada com a história da Aredhel – uma personagem de JRR Tolkien, que aparece na obra “O Silmarillion” –  por ela ter ousado sair de casa e seguir o seu próprio espírito livre mesmo morando no lugar mais bacana da Terra-Média da época, e como ela era altiva, livre, soberana e inquieta – inquietação era a palavra da Aredhel prá mim.

Naquela época, eu quem escrevi o verbete sobre ela no livro “Senhoras dos Anéis: Mulheres na obra de JRR Tolkien”, de organização da Rosana Rios, publicado pela Devir.  Lendo, deve dar para sentir que eu não fui muito imparcial, mostrei mesmo que gostava dela e os motivos pelos quais eu gostava e hoje, embora eu ainda ache esse um conto muito bacana, eu ão me identifico mais com a Aredhel como eu me identificava naquela época.
E essa identificação vinha muito da fase em que eu estava – de algum modo, a casa dos meus pais era minha Gondolin, e eu estava dando caminhadas prá cada vez mais longe e me tornando cada vez mais independente, e me sentia muito livre e segura de mim mesma – só que o meu lindo elfo ferreiro não é, definitivamente, um dominador sem noção como o Ëol, mas um cara que realmente me faz aprender muito a cada dia – e com o qual eu tenho um relacionamento muito bacana, de iguais e parceiros. Com meus quase 29, muito bem casada, e tendo que pagar as próprias contas, a Aredhel não é mais meu tipo de heroina preferida – e, de algum modo, eu realmente espero que quando eu tiver um filho eu saiba educá-lo para que ele não vire um Maeglin da vida.  No fundo, hoje eu acho que boa parte do que ela tinha não era liberdade e um espírito inquieto, era teimosia e arrogância mesmo. Duas características negativas contra as quais, aliás, eu luto todos os dias.

A imagem que ilustra esse post se chama “Ëol Welcomes Aredhel in His House” e foi pintada pelo fabuloso Ted Nasmith, que tem uma bela edição ilustrada d´O Silmarillion. Na sua primeira vinda ao Brasil, eu tive a deliciosa oportunidade de assistir uma palestra com ele, que é uma pessoa para lá de bacana. Tirei a imagem daqui.

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2 Comentários (+adicionar seu?)

  1. Ale Dossena
    fev 08, 2013 @ 08:41:32

    Maravilha começar o dia relembrando o Silmarillion !! Perfeito ! Obrigada ! Confesso que não lembro dos detalhes da personagem, li o livro em 2002 e agora deu vontade de ler novamente… Bjs !!

    Responder

  2. Trackback: Senhoras dos Anéis: Mulheres na obra de JRR Tolkien | Um ano e um dia

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