Netiqueta, vergonha alheia, ou nem-sei-o-que

Imagine que você está na sua casa, o amigo de um amigo que você conheceu numa balada e trocou algumas frases está passando por alí, toca a sua campainha e pergunta se pode entrar. Você, sempre hospitaleiro, o recebe de maneira calorosa, se oferece para fazer um café, diz para ele te aguardar meio minutinho enquanto você pega uns biscoitos… Você sai despreocupadamente e vai para a despensa, e, quando dá por si, o fulano está dentro da sua cozinha, com a geladeira aberta, lendo os recados da sua namorada que estão pendurados na porta, e abrindo aquela cerveja importada que você estava guardando para abrir no aniversário do seu melhor amigo na semana seguinte…

Absurdo só de pensar, né? Você provavelmente não conhece ninguém que tenha feito algo assim recentemente, mas está cheio de gente que faz essas coisas na internet. Há quem diga que é por que a pessoa está “escondida” atrás de um nickname, e provavelmente nunca encontrará pessoalmente as pessoas com quem se relaciona virtualmente, mas,  prá além disso, eu acho que muita gente (principalmente BRs, mas isso é assunto para outro dia) acha que, se porque uma coisa é ou está na internet, qualquer um tem o direito de fazer qualquer coisa com ela, quando isso, definitivamente, não é verdade.

Eu estou escrevendo isso hoje pois, nos últimos dias, em dois grupos diferentes, sobre assuntos diferentes, apareceram novatos revolucionários mal-educados, que já chegaram reclamando de um monte de coisas e querendo derrubar regras que existem naqueles grupos, sem parar para tentar entendê-las antes. Gente, vale o bom senso, né? Se você está chegando num grupo novo, tente, antes de mais nada, entender como ele funciona: Quais são as regras que estão escritas, quais são as regras que não estão escritas porque foram criadas à partir de costumes, se aquele grupo tem alguma espécie de liderança (moderadores de comunidades, por exemplo), leve um tempo para se ambientar, e, quando achar que está começando a entender como as coisas funcionam, aí sim você começa a postar, e interagir, sem nunca se esquecer de se apresentar primeiro.

Se você vê que naquela comunidade tem alguma coisa que você não gosta, você vai ter que pensar com seus botões se, mesmo com aquele empecilho, você ainda quer participar dela. Isso porque, a Internet não é mais uma coisa nova, existem comunidades, sobre diversos assuntos, que tem muitos membros ativos há muitos anos! Se você chega a uma comunidade onde tem um núcleo que está lá há seis, oito anos, é um novato, e começa dizendo “vocês são desorganizados e isso e isso que estão fazendo são infantilidades”, sendo que as pessoas gostam daquilo e fazem aquilo há longos anos, você não vai ser bem visto.  Quando falo isso, estou pensando em peculiaridades como “todos os membros da comunidade têm de postar uma foto temática a cada data comemorativa” ou “não se pode usar fotos de personagens de anime no avatar”. Se você encontrar alguma coisa que ofenda uma lei ou princípio grave, como mensagens racistas ou pedófilas, o melhor que você faz é sair rapidinho dessa comunidade, e, se puder, denunciá-la (no facebook, por exemplo, existe uma ferramenta para denunciar perfis, páginas e comunidades).

Além disso, como ainda não temos um detector de entonações e sentimentos ao ler uma mensagem pela internet, é necessário tomar muito cuidado com piadas e críticas construtivas, que facilmente podem ser lidos como ataques diretos, injúrias, xingamentos, críticas destrutivas, etc. Na dúvida, sempre elogie ao invés de xingar, por mais vontade que você tenha de xingar. Se você é humilde e simpático tem maior possibilidade de se enturmar e conseguir o que precisa. Não é melhor dizer “ainda não entendi bem as razões pelas quais vocês fazem isso dessa forma, mas acho que com o tempo pego o jeito da coisa” do que “Isso que você está dizendo é uma asneira. Por que vocês não param de fazer essas m&r***?” Se você está vendo que ninguém vala em miguxês, ou usa caixa alta (Caps lock) em todas as letras das mensagens, porque você vai fazer isso?

Bom senso e empatia são, ou deveriam ser, utilizadas em todos os tipos de relacionamento humano, sejam físicos, ou virtuais. Por mais que você não esteja vendo a pessoa do outro lado da tela, ela ainda é humana e tem sentimentos, assim como você.

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