Inferno Astral dia 02: Dispersão

Hoje, estive dispersa o dia inteiro. Fiquei melhor nas coisas que tinha que fazer longe do computador, que nas coisas que tinha que fazer no computador. Achei um cabelo branco, o primeiro realmente sério – até que eles demoraram. Almocei pizza de ontem. Terminei uma página de scrap que estava parada. Meu kit digital não evoluiu muito – tenho dois dias para terminar.

Para mostrar que, apesar dos BRs idiotas tem muito brasileiro bacana, achei essa notícia na internet:

http://g1.globo.com/turismo-e-viagem/noticia/2013/05/casal-de-brasileiros-viaja-pela-asia-com-gato-de-rua-que-adotou-no-laos.html

Ah, e terminei de ler um infantojuvenil da Rosana Rios que havia começado ontem: Game Over – Uma ameaça virtual. É bem bacaninha, destinado a um público de pré-adolescentes. Se eu ainda desse aula, recomendaria aos meus alunos nessa faixa etária. Cheio de citações a coisas variadas, e os personagens tem nomes baseados na saga arturiana. Achei legal ter uma menina que é boa nos video-games na história. Quem sabe a Rosana não queira escrever um livro com ela como protagonista depois? Vou dar essa sugestão a ela…

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About a Dream – Kitten Message

(Apesar do título em inglês, a postagem é em português… Até eu resolver mudar)

Aqui na rua tem um gato, não como na rua da casa que eu morava antes, que tinham vários gatos. Aqui os vários gatos ficam dentro das casas das pessoas, e um único gato está na rua, e chamamos ele de “Street Cat”. Não da simplesmente para adota-lo, já somos 2 humanos desempregados e 5 gatos. A vizinha da frente tem 3, e pelo menos mais 4 casas na rua tem mais de um gato também. Minha sogra pensa em alimenta-lo, mas ela não quer adota-lo oficialmente, porque… hum… porque não. E estávamos conversando sobre ele hoje na hora do almoço e tudo mais e obviamente depois de uma pança cheia, veio a hora do soninho.

Acabei que sonhei com um gato de rua. Primeiro era o Street Cat, depois ele foi embora e veio um outro gato, um lindo filhotinho Marrom, Branco e ROSA! No sonho, ele não era arisco, as pessoas passavam por ele, lhe davam atenção e carinho, mas ele continuava na rua, entre a minha casa, da minha sogra (somos vizinhos) e da vizinha da frente, que além de 4 gatos ainda tem 2 cachorros (um macho e outra fêmea). Em um determinado momento, os cachorros da vizinha cercaram o filhote, mas não para brigar, estavam tentando fazer xixí nele, como que para marcar o território, mas ele não deixou, então eu consegui pegar o gato e ir pra casa da minha sogra, já que estávamos conversando sobre ela adotar um gato de rua.

Na casa dela ele ficou bem a vontade, embora todo o sonho tenha ocorrido com o gato na garagem dela, e a única pessoa dentro da casa era a Lórien. Primeiro eu verifiquei se o tom de rosa na pelagem não era tinta, o que não era, ou pelo menos no sonho eu me certifiquei e tive a certeza de não ser. Depois eu verifiquei se era macho ou fêmea, era um macho, tinha sido castrado recentemente, pois ainda estava com o fio cirúrgico fechando o ponto no saco. Mas tinha um outro ponto cirúrgico na barriga dele que eu não descobri o que era, era apenas um ponto, na altura das costelas, perto de um dos úberes.

Depois de brincar com o gato e verificar todas essas coisas, a Lórien apontou para o meu pé e disse: “Toma cuidado Chronos, seus pés estão cheios de pulgas”. E na verdade não eram só pulgas, mas pupas, ovos, larvas e todo o conjunto. Num ser humano isso não faz nada, mas pra quem tem 5 gatos em casa, isso é basicamente caso para passar por uma descontaminação radioativa. Não nos desesperamos, para um gato de rua, vir com pulgas é a coisa mais normal do mundo. Todos os nossos vieram da rua e tivemos que aplicar anti-pulgas em todos eles, mais de uma vez.

Eu ainda estava sonhando quando me dei conta de que aquilo era uma mensagem. Vamos dizer que a ficha caiu tão rápido que não deu tempo nem sequer de acordar. Alguma divindade bacanuda estava tentando me avisar de alguma coisa, que agora eu preciso quebrar um pouco a cabeça para decifrar o enigma, porque sempre vem em enigmas. O filhote de felino, que embora fosse cor de rosa (ein???) inicialmente era feliz, alegre e saudável, já estava castrado o que era um problema a menos, tinha sido abandonado e com uma incisão a mais do que deveria num lugar suspeito, e ainda estava com pulgas, uma coisa que da noite pro dia se alastra descontroladamente.

Vamos esperar para ver…

Um miado triste

Hoje de manhã, quando eu estava descendo para terminar de me arrumar, vi uma cena que me deixou de coração partido. Antes de ver, ouvi: Era um miado triste, choroso, quase agoniado. E antes de ver eu supus a quem pertencesse: Não a um de meus gatos, mas ao gato de rua que apareceu há um tempo por aí.

A minha rua não é uma daquelas que têm colônias de gatos abandonados, como era a da nossa casa anterior. Nessa, normalmente, se aparece algum gato, ou achamos o dono, devolvemos, e damos um sermão (infelizmente, o sermão nem sempre funciona de verdade – já teve gente que deixou gato cair da janela, que deixou o gato sair e ele foi atropelado…) ou alguém da rua acaba adotando. Só que as casas da rua, todas, receberam gatos novos nos últimos tempos. Um vizinho que não tinha gato adotou uma filhotinha de siamês; a da frente pegou uma branca, surda e muito bagunceira, nós pegamos o Ronron, nosso quinto gato… Cinco é a média de animais de quem realmente gosta de bicho lá na rua… E ninguém parece ter condições de acolher o gato que está na rua.

Ele interage com meus gatos pelas janelas ou de cima do telhado do quintal dos fundos (que é telado) Meus gatos ficam encarando o gato sem dono, mas não se mostram particularmente ariscos, como normalmente eles fazem. E as partes brancas do gatinho sem dono estão cinza opaco, de tanta sujeira, enquanto meus gatos que não são totalmente pretos têm as partes brancas bem branquinhas mesmo. O gato de rua é um gatinho de black-tie, um frajolinha. Parece bastante com o By e com a Éowyn, e, se a Éowyn que era muito feinha quando era uma gata de rua ficou super fofa quando começou a ser bem cuidada, ele, ou ela, pois não sabemos o sexo, também ficará um charme Os pelos dele parecem longos, e devem ficar bem macios depois de limpos, bem cuidados, e com ele tendo comida de qualidade.

Mas quem dará uma chance a um frajolinha completamente comum, que está todo sujo e abandonado na rua, vindo de não se sabe onde? Esse é um dos tipos de gato mais comuns, um dos últimos a ser adotados num abrigo.

Eu estou morrendo de dó. Queria muito ter condições de cuidar desse bichinho que parece doce e amistoso. E que provavelmente é uma criatura inocente que está na rua por causa de um ser humano irresponsável, nem entende porque está ali. É triste, sabe? Ainda estou com aquele miadinho na cabeça. Aquele pedido, de carinho, atenção, comida, socorro. Um pedido triste, de quem não tem muita esperança.

É muito triste não poder fazer nada.

Selinho