As portas do outro mundo

Uma coisa muito inusitada me aconteceu hoje.

Ao voltar para casa, entrei no onibus e ao passar a catraca me sentei no banco destinado a cadeirantes e cegos, e obviamente como não havia nenhum cadeirante ou cego no onibus, ali fiquei.

Acontece que eu trabalho muito proximo ao Cemitério da Quarta Parada (não me pergunte onde são as 3 paradas anteriores), e este banco em especial, fica bem em frente a porta adaptada.

Ali me sentei e fechei um pouco os olhos para respirar, porque eu tinha corrido para pegar o onibus, e estava ofegante. A surpresa me veio quando abri os olhos.

Imediatamente a minha frente, estava o portão do cemitério, já fechado devido ao horário. A porta do onibus não se abriu, mas emoldurou o portão fechado perfeitamente. Alem do portão havia o caminho para uma capela que estava vazia e uma luz fraca e amarela estava acesa la dentro, e bem no centro dela havia um pedestal com suporte para uma biblia grande, mas vazio. Como a luz era fraca e distante, enchia a capela de sombras, como se a luz projetada ali dentro viesse de velas e conferia uma visão singular do meu ponto de vista.

Eu achei aquilo muito interessante, não me deu medo como daria na maioria das pessoas, mas me inspirou respeito e um frio na espinha.

…Dead always comes to us all… No matter who you are!

Popularidade…

Descobri recentemente o quão eu sou popular… Acho que por essa frase, as pessoas pensam que eu sou o cara que se acha, que todo mundo quer a atenção, o super-star das paradas.

Não… Eu sou conhecido e as pessoas gostam de mim, mas “o quão eu sou popular” não quer dizer nada disso que eu citei acima. Eu sou o cara por detraz do palco. As pessoas lembram sempre da minha existência, mas sempre como alguem com quem possam contar, porque sabem que eu vou ajudar. Sob minha cabeça não estão holofotes, como algumas pessoas que eu conheço, muito pelo contrario, eu sou o cara que está com a prancheta na mão vendo se está tudo indo bem.

Mas por mais que essas coisas juvenís se revelem na adolescencia, tempos depois, quando nor tornamos adultos e os parametros mudam, o ponto de vista amadurece, é que notamos que a reverberação disso nos afeta profundamente.

Eu tenho a tendencia de sempre fazer as pessoas rirem, e só quem realmente me conhece profundamente sabe que muitas vezes eu falo sério, mas minha ansia de ver as pessoas bem ao meu lado é reflexo de muito tempo querendo chamar a atenção, porque eu fui um adolescente marcado por ter poucos amigos.

Hoje, eu posso dizer que sou indíspensável em uma série de “fatores” que acontecem a minha volta, mas também posso dizer que poucos sabem/entendem o que realmente acontece. 😉

As diferenças de uma sociedade que conhece pouco…

Como eu não escondo de ninguém, não somos cristãos. O que implica em não ser católico, evangélico, protestante ou seguir qualquer outra religião baseada na bíblia. Somos politeístas pagãos.

Bom, até ai tudo bem… O complicado é quando o seu chefe pede pra você explicar pra ele qual religião é a sua.

“Nossa, então você é pagão… Explique!”

E depois de uma longa explicação vem a frase “Ah! Legal, igual ao filme do Hércules que eu assisti quando era criança…” (Sim, eu e o meu chefe temos praticamente a mesma idade).

Bom, deboche ou não, eu não ligo pra isso, mas conversar certos assuntos com o dono da empresa, sendo que você só está lá a 35 dias, é um tanto quanto temeroso. No fim deu tudo certo, eu não fui demitido, hehehe, e ainda virei celebridade onde eu trabalho, porque agora eu sou o diferente.

O Gerente Comercial, nunca foi cristão, mas também nunca foi ateu, ele entende que existe algo inexplicável e invisível, mas não se atenta pra isso. Como ele foi batizado na igreja, não se considerava pagão, até a minha explicação. e Agora ele já reconsidera o fato. Pra muita gente a falta de informação para uma segunda opinião é o que estraga o pluralismo de forma geral. Porque para muitos casos precisamos absorver referencias de outras pessoas  e nunca ninguém havia chego pra ele e dito o que era o que.

O poder daquilo que falamos

Palavras não são só palavras, são pequenos fragmentos de poder.

Elas podem mudar nosso destino, nosso animo, nossa concepção de mundo. Elas nos norteiam, nos dão direcionamento.  Aquilo que falamos, que dizemos a outras pessoas, são muito amis do simples palavras, muitas vezes é a linha tênue que divide o destino de alguem.

Já conheci casos de pessoas que reswolveram suas vidas e suas dúvidas através das minhas palavras, mas também já fiquei sabando que prejudiquei muita gente com as mesmas.

Hoje me mostraram o real poder daquilo que falamos, do como nossos sentimentos de derrota nos levam mais para baixo, e como muitas vezes nem reparamos o quanto estamos decaindo simplesmente porque colocamos nossa capacidade em dúvida. A verdade hoje doeu no coração, de verdade, não foi uma metáfora.

Eram os raios do céu…

Levou 30min antes de realmente chover. Nesse tempo ficou relampejando. E era muito bonito de se escutar.

Eu sou curioso, escutar só não bastava, então eu abri a janela do quarto para olhar. Caía uma chuva fraca, umas gotas bem esparsas, mas o céu era de um cinza chumbo intenso. E trovejava.

Eu ví um relâmpago cair bem perto daqui, e era um relâmpago sem vergonha de se mostrar. Ele piscou por bem mais que 1 simples segundo, ele ficou um bom tempo se exibindo ali, como se eu fosse sua plateia, e eu fiquei feliz.

A maioria das pessoas têm medo disso, minha esposa principalmente, mas eu adoro aquilo que é natural, mesmo se for mortal. E aquele relâmpago devia saber disso. Acho que ele veio me visitar, sabendo que eu estava ali para recebe-lo. Não fez barulho, não deu sinal, foi numa sincronia perfeita entre eu abrir a janela e ele se mostrar. Quase como amantes…

Agradeci. Bastou um “salve Zeus”. Fechei a janela e voltei pra cama, como se nada tivesse acontecido. Veio então a chuva torrencial, e logo tudo passou.

Bagunça na Cozinha!

Minha cozinha é uma bagunça, todo mundo que frequenta nossa casa sabe disso. O pior item da cozinha é o fogão, que vive engordurado e sujo. Eu não tenho a neura da minha mãe de ficar limpando sempre tudo, mas confesso que as vezes isso ajudaria um pouco. Eu não dedico metade da minha vida a arrumar a casa, mas eu aceito o fato de que deveria dedicar um pouco mais a essa tarefa.

A Cozinha é o laboratório do alquimista. Ela é onde você transmuta o alimento, da manutenção à vida, é onde se aprende a essencia dos elementos. Eu quero mudar o mundo, transforma-lo em um mundo melhor, mas eu nem sequer consigo manter minhas panelas limpas! :-/

About a Dream – Kitten Message

(Apesar do título em inglês, a postagem é em português… Até eu resolver mudar)

Aqui na rua tem um gato, não como na rua da casa que eu morava antes, que tinham vários gatos. Aqui os vários gatos ficam dentro das casas das pessoas, e um único gato está na rua, e chamamos ele de “Street Cat”. Não da simplesmente para adota-lo, já somos 2 humanos desempregados e 5 gatos. A vizinha da frente tem 3, e pelo menos mais 4 casas na rua tem mais de um gato também. Minha sogra pensa em alimenta-lo, mas ela não quer adota-lo oficialmente, porque… hum… porque não. E estávamos conversando sobre ele hoje na hora do almoço e tudo mais e obviamente depois de uma pança cheia, veio a hora do soninho.

Acabei que sonhei com um gato de rua. Primeiro era o Street Cat, depois ele foi embora e veio um outro gato, um lindo filhotinho Marrom, Branco e ROSA! No sonho, ele não era arisco, as pessoas passavam por ele, lhe davam atenção e carinho, mas ele continuava na rua, entre a minha casa, da minha sogra (somos vizinhos) e da vizinha da frente, que além de 4 gatos ainda tem 2 cachorros (um macho e outra fêmea). Em um determinado momento, os cachorros da vizinha cercaram o filhote, mas não para brigar, estavam tentando fazer xixí nele, como que para marcar o território, mas ele não deixou, então eu consegui pegar o gato e ir pra casa da minha sogra, já que estávamos conversando sobre ela adotar um gato de rua.

Na casa dela ele ficou bem a vontade, embora todo o sonho tenha ocorrido com o gato na garagem dela, e a única pessoa dentro da casa era a Lórien. Primeiro eu verifiquei se o tom de rosa na pelagem não era tinta, o que não era, ou pelo menos no sonho eu me certifiquei e tive a certeza de não ser. Depois eu verifiquei se era macho ou fêmea, era um macho, tinha sido castrado recentemente, pois ainda estava com o fio cirúrgico fechando o ponto no saco. Mas tinha um outro ponto cirúrgico na barriga dele que eu não descobri o que era, era apenas um ponto, na altura das costelas, perto de um dos úberes.

Depois de brincar com o gato e verificar todas essas coisas, a Lórien apontou para o meu pé e disse: “Toma cuidado Chronos, seus pés estão cheios de pulgas”. E na verdade não eram só pulgas, mas pupas, ovos, larvas e todo o conjunto. Num ser humano isso não faz nada, mas pra quem tem 5 gatos em casa, isso é basicamente caso para passar por uma descontaminação radioativa. Não nos desesperamos, para um gato de rua, vir com pulgas é a coisa mais normal do mundo. Todos os nossos vieram da rua e tivemos que aplicar anti-pulgas em todos eles, mais de uma vez.

Eu ainda estava sonhando quando me dei conta de que aquilo era uma mensagem. Vamos dizer que a ficha caiu tão rápido que não deu tempo nem sequer de acordar. Alguma divindade bacanuda estava tentando me avisar de alguma coisa, que agora eu preciso quebrar um pouco a cabeça para decifrar o enigma, porque sempre vem em enigmas. O filhote de felino, que embora fosse cor de rosa (ein???) inicialmente era feliz, alegre e saudável, já estava castrado o que era um problema a menos, tinha sido abandonado e com uma incisão a mais do que deveria num lugar suspeito, e ainda estava com pulgas, uma coisa que da noite pro dia se alastra descontroladamente.

Vamos esperar para ver…

Sobre um novo bloco de anotações

Ontem à tarde, voltando do serviço, algo me chamou a atenção numa movimentada avenida: Um pano estendido no chão, com bloquinhos de papel reciclado de diversos tamanhos, que alguém estava vendendo; notando que eu estava observando, uma moça que estava um pouco distante, veio me atender. Era uma moça completamente comum, sem nenhuma característica que a destacasse da multidão de Sampa-Babylon. Até mesmo a idade dela era um pouco difícil de imaginar. Acho que devia ter entre os 35 ou 40. Estava com um carrinho desses fechados que se tornou comum entre o ano passado e o retrasado para carregar compras por aqui, e o carrinho era tão discreto quanto a moça, que logo começou a fazer suas promoções.

Eu não precisava (nem preciso) de um bloquinho de anotações. Tenho vários, inclusive alguns que eu mesma customizei, já que também sou artesã e trabalho, inclusive, com papelaria personalizada. Mas a coisa mais óbvia do mundo era comprar um daqueles bloquinhos. Um pequeno, pois não tinha dinheiro prá mais que isso. Aliás, duvidava que tivesse dinheiro até mesmo para o pequeno. Se eu conseguisse encontrar o dinheiro, negócio fechado. Se não encontrasse, ao menos pegaria o contato da moça. Levava mais dinheiro comigo do que o que eu supunha, ainda ficaria com umas moedas se comprasse. Ótimo. Um deus sussurrou para que eu levasse o bloquinho vermelho mais escuro, eu obedeci.

Eu admiro aquela mulher. Porque ela tem uma coragem que eu não tenho. A de pegar os produtos do trabalho dela, e vender na rua. Eu admiro muito as pessoas que fazem coisas que eu não seja capaz de fazer. O professor que consegue dar aula prá uma sala lotada de adolescentes em escola pública, o coletor de lixo… A artesã que vende seu produto, sabendo que ele é lindo e de qualidade, nem que precise ficar o dia inteiro de pé numa rua movimentada. E eu disse prá ela o quanto a admirava. E o quanto, embora grana esteja difícil, eu queria muito aquele bloquinho, pela admiração que eu sinto por ela. E prá ficar bem visível, como uma lição para mim. Para que, enquanto o bloquinho existir, eu possa me lembrar, através dele, que não sou perfeita: Sou uma pessoa comum, como todas as outras, que, além de desejos, sonhos, esperanças e necessidades, também tem limites. E que, embora eu seja boa numa porção de coisas, tem muitas outras nas quais outros seres humanos, tão comuns quanto eu, são melhores que eu em uma porção de outras coisas.

Aquela moça vendendo bloquinhos num fim de tarde de clima ameno, foi uma forma dos deuses me ensinarem mais um pouco. Qual será o uso do meu bloquinho e do lápis coordenado dele? Anotarei algum novo projeto, o utilizarei no cotidiano, darei de presente a alguém? Eu não sei, mas tenho certeza de que, de algum modo, os deuses também me mostrarão o que devo fazer com ele. Por enquanto está alí, prova viva de sí mesmo, com uma anotação, na primeira página, dizendo a lição que aprendi com a existência daquele simples bloco de papel reciclado. E, é claro, peguei o contato da moça. Se o bloquinho dela já é maravilhoso do jeito que ela faz, imagina customizado? Espero ter chance de comprar muitos e muitos outros bloquinhos…

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Selinho