Exercícios de escrita aleatórios #3: Uma palavra para cada letra

É isso que vocês entenderam. Vou escrever a primeira palavra que vier na minha cabeça com cada letra do alfabeto – em ordem (e tentar não lembrar do abcdário da Xuxa):

 

Algodão doce

Banana

Casa

Dado

Elefante

Fofoca

Gatinho

Hidroginástica

Indio

Janela

Kaiake

Lontra

Mãe

Nariz

Ornitorrinco

Preguiça

Queijo

Rosbife

Salada

Tomate

Uva

Vacina

Wellington

Xuxa

Yahoo

Zabuza

Agora, se me dão licença, vou pensar como vou usar essas palavras esquisitas das próximas vezes que eu não souber o que postar :p

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Alem das núvens do sonhar

Jeremias nasceu pobre, mas sempre teve um sonho, o sonho de ver o mundo de cima. Dizem que as pessoas pobres pensam pequeno, bom em partes isso é verdade, mas não é assim com a maioria. Jeremias nunca havia saído da sua vila, do seu canto de mundo, da sua rotina, até um dia, aos 5 anos de idade, ver uma foto de uma montanha. E então ele colocou em sua caixola que era ali que ele iria realizar o motivo de sua existência. Ele tinha que subir aquela montanha.

Ele aprendeu a escrever, mesmo sem ter alguém para apoia-lo em casa. Seu pai dizia que ele tinha que trabalhar, para ajudar a família, pegar papelão e latas de alumínio, garrafas de vidro e coisas desse tipo. Não sobrava tempo para estudar. Não sobraria, se Jeremias fosse um rapaz de vontade fraca, porque aquela imagem da montanha queimava em seu coração.

Ele aprendeu a fazer contas, mesmo sem ir para a escola. Melhor que qualquer um de sua família pelo menos. Bastou colocar o pensamento em ordem e perceber como as coisas no mundo funcionam. A quantidade de latas, os números nas caixas, somar e subtrair leva a multiplicar e dividir. E logo seu pai estava feliz da vida com o filho, pois Jeremias agora negociava com o dono do ferro velho e as migalhas já estavam se transformando em pão. Isso foi só um pequeno passo para Jeremias, afinal de contas, com isso conseguiu convencer seu pai a deixa-lo ir para a escola.

Agora Jeremias poderia estudar melhor. Prestava a atenção em todas as aulas e em tudo o que podia aprender com os livros. E logo tomou gosto pela Leitura. Adorava os clássicos brasileiros, mas gostava dos autores estrangeiros também. Lia sempre que podia, o que significava obviamente, na maior parte do tempo que o pai não estava vendo. E logo começou a frequentar a igreja, já que podia ler a bíblia. E foi lendo a bíblia que ele viu sua montanha se aproximar cada vez mais.

Não que a bíblia dissesse pra ele que quem tem fé vai a montanha, ou a montanha vai até alguém, mas ali ele simplesmente aprendeu a ter fé em algo, que as vezes para muitos, está tão distante quanto uma montanha. Seus pais estavam orgulhosos dele, viam que o filho era diferente e oravam a deus pela dádiva que tiveram. E aos poucos Jeremias foi se tornando o homem da família.

Ele começou a trabalhar no mercado, não precisava mais coletar recicláveis. Ele era o aluno mais prendado, e não precisava mais ler escondido. Mas a medida que sua montanha foi crescendo na sua frente, a favela foi se tornando cada vez menor para seu espírito inquieto e cheio de vontade. Aos 15 anos foi morar sozinho numa pensão no centro da cidade.

Jeremias era qualquer coisa, menos ingênuo. Ele sabia da maldade do coração humano, porque já tinha convivido com pessoas más na favela, e por isso não teve problemas para lidar com a malandragem dos becos e esquinas da velha cidade. E de empacotador passou a caixa… E de aluno passou a universitário… E de morador de pensão passou a inquilino de uma casa maior.

E aos 28 anos de idade, escalar a montanha era uma metáfora tão grande em sua essência, que executar o ato era uma questão meramente metafísica. Mas o seu pensamento esteve tanto tempo voltado a isso, àquela pequena foto de infância que nunca lhe saiu do pensamento, tanta energia dedicada apenas a um único fim, que sua chance veio na forma de um convite de amigos, para escalar exatamente a montanha de sua infância.

E ele escalou, subiu pedra por pedra, e quando o caminho se tornou difícil para os outros, para ele era apenas mais um declive. E quando as pedras começaram a esfarelar em suas mãos, seus sonhos estavam tão firmes quanto a própria rocha. Muitos disseram que não passariam dali, mas Jeremias era o homem da realização, era o ser que podia tudo, e ele foi adiante. Ele, com seus próprios esforços chegou ao topo, cansado, suado, esfolado, mas chegou. E lá em cima, no platô mais alto, ele olhou o mundo de cima, e acima dele as nuvens e o céu azul, e tudo aquilo era místico e maravilhoso.

Mas como qualquer outro ser humano, ele se questionou: E agora, o que eu faço?

O vento soprou no seu rosto, o sol brilhou no horizonte, e como por um milagre inexplicável, ele achou no chão uma outra foto, em baixo de uma pedra como se estivesse ali apenas esperando por ele, de uma montanha ainda maior, de um desafio ainda mais instigante, de um sonho ainda mais alto.

 

Projeto: O Conto

Decidi que a partir da semana que vem, pelo menos um dia da semana dedicareu à escrita literária. Vou escrever pedaços de contos para ir aperfeiçoando essa técnica. Afinal, esse é um dos propósitos desse blog, melhorar em alguma coisa.

Embora eu tenha alguns contos escritos e engavetados, eu ainda acho que eles estão bem imaturos para serem publicados, mas possuem boas idéias como base, então não planejo simplesmente copialos aqui, mas sim re-escreve-los neste espaço.

Não sei se a Ló vai participar, e esse desafio é mais light que o desafio de postar todos os dias no blog. Mas pretendo manter a escrita dos contos, fixa.

Exercício de escrita aleatórios #2 – Let it flow

Hoje vou fazer o exercício de escrita proposto para o dia de hoje no blog The Daily Post, do WordPress: Ele diz (em tradução livre da minha pessoa):

Coloque um cronômetro para tocar em 10 minutos. Abra um novo post. Ligue o timer e escreva. quando o tempo acabar, publique.

E aí vamos nós, sem correção ortográfica, sem revisão… Como diria um amigo meu, daqui em diante é “barata voa”.

É difícil começar a escrever sem ter uma idéia exata do que você está fazendo; só escrevendo o que te passa na mente. Por outro lado, é um jeito bacana de treinar 🙂

Essa semana foi uma semana bastante cansativa por aqui. Vocês devem imaginar isso, já que até pulamos um dia. Aquele dia, cheguei com a cabeça tão cheia de coisas em casa que ela doía. E muito. Quando fui dormir, a impressão que eu tinha era que ela ia explodir. E eu demorei a conseguir desconectar. Nessas horas, é uma vantagem muito grande que qualquer analgésico consiga te colocar prá dormir. Tomei meu analgésico de confiança, subi para o quarto, coloquei a cabeça no travesseiro, fiz Reiki, e, alguns minutos depois, não lembro mais de nada.

E olha só o que eu tenho que ouvir: Uma entrada no blog do Hospital e maternidade Santa Joana, com uma dúvida de cliente, que pergunta à partir de que idade se pode alisar o cabelo da filha, porque ela tem o cabelo “muito ruim”. E ainda tem gente que não consegue acreditar que esse hospital não seja um lugar bacana para ter um filho. Já ouvi várias histórias horrorosas por lá, fora que eles simplesmente não aceitam parto normal. Se não é a maior taxa de cesária de São Paulo, está entre as maiores! É um daqueles lugares para sair correndo!

Ufa! Esses 10 minutos não passam não? Aparentemente, ainda faltam 4.

Enfim, essa semana foi complicadinha, não parei tanto na frente do micro… Sorte que aqui em Sampa-Babylon é feriado amanhã. Eu e o Chronos vamos sair para dar uma volta pelo centro, provavelmente faremos uma das refeições fora… Deve dar para desestressar um pouco.

E, falando em desestressar, hoje de manhã a internet não estava funcionando em casa. Parece que já tinha voltado quando saímos de casa, mas ainda assim, a possibilidade de chegar em casa numa quinta véspera de feriado e não ter internet não é a mais bacana do mundo… Principalmente porque o provedor pode simplesmente querer arrumar só no próximo dia útil. Ainda assim, jogamos um pouco mais de Heroes of Might and Magic antes de sair – e descobrimos que

Exercícios de escrita aleatórios #1 – Baseado em fatos reais

Eu gosto de ler blogs. E gosto de ler blogs de pessoas comuns, falando sobre coisas banais, além de blogs sobre assuntos específicos. Quando um blog tem um assunto específico e comentários pessoais, isso pode ser uma combinação divertida.

Pois bem, a Sunny, autora do Digi Design Works, se aposentou, depois de exercer um cargo público. E fez a contagem regressiva, e disse um pouco sobre os últimos dias de trabalho, no serviço público, incluindo aquele tipo de detalhe que só a vida real faz. Por exemplo, ela diz que ninguém vai ser contratado para a posição dela, mas que muitos querem ocupar o escritório dela, já que tem a melhor vista do prédio, ou que ela está fazendo o menor alarde possível, não quer nenhuma festa de despedidas, etc. Mas, por outro lado, o quanto ela estava ansiosa para a aposentadoria.

Lendo isso, pensei que esse pudesse ser um bom exercício de escrita e imaginação. Se eu estivesse no lugar dela, isto é se estivesse me aposentando de um serviço público que exerci por um longo tempo, como estaria me sentindo? Aqui vai meu primeiro exercício de escrita desse blog 🙂

Eu teria começado a contar o tempo dois anos e meio, dois anos, antes da data da aposentadoria. E só estaria aguentando as chatices da profissão por saber que em breve me veria livre dela, e com uma aposentadoria que me permitiria usar meu tempo como eu quisesse. Eu me distrairia fácil, focando mais nos meus planos para o futuro que para o presente. O presente seria uma mera circunstância. Eu sou uma pessoa ansiosa.

Provavelmente eu já teria falado tantos “quando eu me aposentar” para as pessoas que trabalhassem comigo, que todos eles acabariam já sabendo a fatídica data de cor. Uns quatro meses antes começaria a arrumar meu escritório aos pouquinhos, jogando fora o que eu não ia utilizar, levando para casa o que era para levar, deixando para outras pessoas o que deveria ser deixado, explicando tarefas e procedimentos para os novatos que fossem me substituir. Um mês antes já restaria no escritório apenas o essencial.

Chegado o grande dia, eu pouco ia trabalhar. Passaria o dia desligada, me despedindo de amigos e inimigos. Almoçaria nostalgicamente, e não sei se comeria todo o meu almoço. Ia contar cada minuto, e sairia do escritório pontualmente.

O que resta quando você sabe que está saindo pela última vez de um lugar onde você trabalhou por um longo tempo? Apenas vazio. Com certeza eu ia chorar,mas só quando já tivesse com os dois pés fora, cinco minutos depois do meu último minuto de trabalho. Vazio e descrença na primeira noite, nos primeiros dias. Podia ser só um feriado, um mês de férias. Apesar de toda a ansiedade, ia demorar para realmente acreditar que tudo acabou.

Se isso acontecesse hoje, eu certamente ia cantar, desesperadamente, repetidamente, e com um pouco de choro, leaving on a jet plane. Será que eu ainda lembrarei dessa música quando tiver sessenta-e-poucos? Será que alguma música refletirá melhor esse momento?

Selinho