Zedoária

Tem coisas que vc não encontra em lugar nenhum, apenas no lugar mais improvável possível, como a Feira-livre do estacionamento da Secretaria de Agricultura de São Paulo. E a zedoária foi uma delas.

Raiz da família “Zingiberaceae”, facilmente confundível com seu parente próximo, o Gengibre. Tem gosto amargo e florado; Cheiro forte e de fácil identificação.

Tem função anti-céptica, anti-fúngica, carminativa, digistiva, estimulante, estomáquica, hepatoprotetora, renal, anti-asmática, febrífuga, vermifuga, anti-reumática, restauradora, antiflatulenta, colérica, hipocolesteroêmica, antioxidativa, anti-hepatotóxica, entre outras de nome complicado demais pra eu digitar com sono e gripado.

Modo de usar: Infusão ou Decocção (200ml por dia). Pode ser feito também cataplasmas ou tinturas.

Contra-Indicações / Cuidados: Não deve ser usada por gestantes nos três primeiros meses de gravidez e lactantes. Evitar uso externo com exposição solar, pois tanto o rizoma quanto o produto são fotosensíveis.

Para mais informações visite o site: http://www.plantamed.com.br/plantaservas/especies/curcuma_zedoaria.htm

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O que não deveria ser normal no parto normal – mas é

Eu já falei um pouco sobre parto nesse post, onde comentei porque sou à favor do parto normal e porque a cesárea não deve ser usada a não ser em uma emergência. Hoje vou falar de alguns dos abusos que não deveriam ocorrer no parto normal, mas ocorrem. Vou deixar o tema da violência obstétrica para outro post, mas indico um artigo interesantíssimo sobre o assunto que eu encontrei aqui. Nesse post vou me focar em intervenções desnecessárias que muitos médicos e hospitais fazem por rotina, havendo ou não necessidade das mesmas:

-Ocitocina sintética (“sorinho”): Na maioria dos hospitais, assim que se constata que a grávida está em trabalho de parto (TP) “bota-se” a mulher “no sorinho”. Esse tal sorinho é o hormônio ocitocina, que é um dos hormônios produzidos no parto. Só que a injeção de mais ocitocina que a produzida pelo corpo, faz as dores do parto (que já não são Toddynho) ficarem ainda maiores, o que leva à necessidade de anestesia, que, além de dopar o coitado do bebê que ainda nem nasceu, ainda corre o risco de gerar uma cascata de intervenções: Como a parturiente não sente as contrações não faz força, o TP para de progredir, aí o médico rompe a bolsa para facilitar, depois faz a manobra de kristeller, a episiotomia… e a chance de dar algum problema nesse processo e o processo que aconteceria naturalmente virar uma intervenção cirúrgica é muito alto.

-Impedimento da liberdade de posição: Em muitos hospitais, a mulher tem que ficar deitada na maca na “posição de frango assado”, isso é, na posição em que se fazem exames ginecológicos. Acontece que essa posição, por ser horizontal, não favorece a descida do bebê (onde é mais fácil empurrar algo? Na descida ou na horizontal?) e,  para a maioria das mulheres, essa não é a posição mais confortável (embora, se deixadas com liberdade de escolha, uma porcentagem pequena de mulheres prefira-a). Além disso, caminhar, abaixar e levantar, rebolar na bola de pilates, etc, aliviam a dor (evitando a necessidade de anestesia e a cascata de intervenções mencionadas acima) e aceleram naturalmente o trabalho de parto. E quando você está fisicamente preso, dificilmente consegue libertar a mente – quem já ficou uma semana de cama sabe como é complicado – e a entrega da mulher é um fator importante para o sucesso de um parto.

-Episiotomia de rotina: A episiotomia é um corte no períneo, que, supostamente, ajuda o bebê a sair do canal vaginal, e supostamente evita as lacerações do períneo – sendo ela mesma uma laceração, e muito pior que a eventual laceração natural, já que não é produzida de modo fisiológico e espontâneo como a mesma. Tem médicos que dizem que se não fizer epísio a mulher fica alargada. Essa afirmação é falsa, eles fazem isso para você aceitar o procedimento. Mais do que falso, esse discurso é machista e extremamente humilhante. Afinal de contas, a episio foi criada no século XVIII e antes disso as mulheres tinham MUITOS filhos, e continuavam fazendo sexo, tendo prazer e dando prazer aos seus maridos – prova é a quantidade de filhos que elas pariam. Além disso, a episio ainda pode trazer infecções para a mãe. Se quiser saber mais sobre esse assunto, dê uma olhada nesse artigo.

-Manobra de Kristeller: Quando eu soube que isso existe, juro, fiquei chocada. A manobra de kristeller é quando alguém empurra a barriga da mulher prá acelerar/forçar a descida do feto. Gente, isso é violento prá caçamba e completamente desnecessário. É uma humilhação prá mãe e pro bebê. e não tem nenhuma razão real prá ela, a não ser a brutalidade e a pressa da equipe médica. É realmente terrível. E ainda pode causar uma série de consequencias, como ruptura uterina, lacerações e outros danos ao períneo, fraturas na criança, e por aí vai. Isso é coisa de gente sem coração, na minha opinião. E tem quem diga que é “só um empurrãozinho prá ajudar” humpf.

-Rompimento artificial da bolsa: É outra coisa que me faz perguntar “prá que isso?” bebê pode nascer com a bolsa intacta, sem nenhum risco ou prejuízo prá ninguém. O argumento, outra vez, é que romper a bolsa acelera o trabalho de parto. É muito difícil deixar fluir? A bolsa no trabalho de parto protege o bebê contra infecções. Prá que rompê-la sem necessidade?

Ops, acho que escrever isso me deixou indignada. Então, por hoje, vou parando por aqui, embora tenha muito a dizer sobre o assunto. Aqui tem uma lista bem concisa de – pasmem- 50 intervenções desnecessárias na gravidez, parto e pós parto. Outro dia continuo esse papo de parto.

PS: No meu outro post sobre isso a Ale me perguntou se podia compartilhar. Pode sim, tanto esse quanto o outro 🙂

Parto Normal x Nascimento cirúrgico

Eu sou defensora do parto normal. E daí que eu não tenho filhos? Se a sociedade fosse feita prá cada um defender só, e unicamente, uma coisa pela qual você já passou, estaríamos perdidos.

A primeira razão pela qual defendo o parto normal é que, bem… ele é – ou deveria ser – normal. Um parto normal é aquele que ocorre pelas vias e de acordo com o modo fisiológico pelo qual o organismo feminino faz com que os fetos, que se desenvolvem dentro deles, possam vir “à luz”. Um parto natural não é uma doença, ou um “problema” nem tampouco um “evento”. Ele é um processo biológico que passa por fases sequenciais já detalhadas pelas ciências biológicas, e que pode correr mesmo sem assistência à parturiente – embora, no geral, a assistência seja positiva para o desenrolar do parto, por uma série de fatores.

A cesariana é uma cirurgia onde a pele da mulher é cortada e o bebê é retirado por uma via diferente da vaginal. Ela é um procedimento médico muito importante para o caso de complicações no processo de parto e, em casos específicos e raros de algumas patologias nas quais o processo de parto fica impossibilitado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, as cesarianas não devem passar de 10% do total de nascimentos. Portanto, de um grupo de 100 bebês que nascem, em tese, uns 6, 8, ou no máximo 10 deveriam ter vindo ao mundo através de uma cirurgia cesariana, e os outros noventa-e-poucos, de parto normal.

Agora, pegue 10 bebês pequenos dos quais você ouviu falar, e veja qual foi a forma de nascimento de cada um deles. O que você descobriu? O mais provável é que você tenha localizado entre um e quatro bebês que nasceram de parto normal, enquanto a maioria deles nasceu de cesariana. Isso porque o Brasil tem uma porcentagem abusiva de cesarianas, já que nossos médicos são mal remunerados, os hospitais lotados, e, por isso, eles não podem esperar pelo longo processo fisiológico do parto.

Acontece que o nascimento cirúrgico desnecessário traz riscos para a mãe – que passa por uma cirurgia de grande porte – e para o bebê. Ele não foi criado para se tornar uma rotina hospitalar, que é o que, de fato, acontece no Brasil, principalmente – pasmem!- nos hospitais particulares. Se a cirurgia acontecer antes da fase ativa do parto – isso é, se ela foi agendada ao invés de feita como um procedimento emergencial devido a alguma intercorrência no processo – os riscos são ainda maiores, e podem ter consequências que afetarão o bebê pelo resto de sua vida.

Essas são só algumas informações bem básicas, mas, conforme o tempo for passando, escrevo mais sobre o assunto por aqui 🙂

Selinho