Dia de ler Tolkien

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O que é o Dia de Ler Tolkien? A Tolkien Society (um grupo de estudos da obra de JRR Tolkien da Inglaterra) criou essa data para incentivar a leitura e o estudo das obras do Professor, como é carinhosamente chamado pelos fãs o escritor que criou, entre muitas outras obras-primas, O Hobbit e O Senhor dos Anéis

Por que Dia 25 de Março? Nessa data, em O Senhor dos Anéis, Sauron foi derrotado e se iniciou uma nova era. É uma data que, na obra de Tolkien, está ligada a renovação, alegria e esperança.

O que fazer? Ler algum trecho de alguma obra de Tolkien. Seja sozinho, em casa, no trabalho, em grupo, com seus amigos, tomando um café, ou como preferir!

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Leitura do Tolkien Reading Day no Dia do Fã

 

Embora eu já tenha lembrado do Tolkien Reading Day com os amigos da Toca São Paulo durante o Dia do fã, decidi ler também um pouco em casa, e dividir com os leitores desse blog. Meu livro escolhido é Os Filhos de Hurin:

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Senhoras dos Anéis: Mulheres na obra de JRR Tolkien

Qual é o papel do feminino nas obras de JRR Tolkien, autor de O Senhor dos Anéis, e O Hobbit?  Esse tema já deve ter rolado pelo menos uma vez em todos os grupos Tolkendili – quando ele rolou na Toca São Paulo, por ocasião do Dia Internacional da Mulher em 2004, seus membros decidiram pesquisar os livros em busca de mulheres, anotando o que elas fizeram. Dessa idéia surgiu o livro Senhoras dos Anéis – Mulheres na obra de JRR Tolkien, organizado por Rosana Rios, e com co-autoria de mais de duas dezenas de outras pessoas que eram membros da Toca São Paulo do Conselho Branco-Sociedade Tolkien.

Eu mesma, que era novata na Toca na época, escrevi dois breves verbetes – O sobre Aredhel, a dama branca de Gondolin, uma elfa que tem uma história de desafiar a autoridade masculina e fazer o que bem entender, e o curto verbete sobre Emeldir, a mãe de Beren, que liderou as mulheres e crianças de seu povo para fugirem da guerra contra Morgoth, e,  assim, salvou muitas vidas. Muito injusto, aliás, que todos se lembrem o nome do pai de Beren e ninguém se lembre o nome da mãe :p

Enfim, desde o dia em que eu escrevi esse post eu fiquei com vontade de reler o livro, e, recentemente, o reli. Apesar de ser um livro mais teórico, é uma leitura tranquila e rápida, sem muitos empecilhos, que deve ser tranquila mesmo para quem nunca leu livros de não ficção. Dá prá notar um pouco que os verbetes foram escritos a várias mãos, por pequenas variações de estilo, mas isso, longe de ser irritante, dá um sabor especial ao livro. Para quem já leu Tolkien, é também um jeito bastante agradável de re-lembrar diversas histórias, e deve dar para pensar “porque eu nunca reparei isso antes?” sobre algumas personagens e as relações que elas mantém entre sí.

O livro foi editado pela Devir, e você pode ler o texto da contracapa no site da editora, nessa página. Se quiser comprar, ele ainda está em estoque em várias livrarias, e eu o encontrei em promoção na loja virtual da Saraiva aqui. Também descobri um cara que fez uma espécie de video resenha sobre ele e colocou no YouTube, aqui.

E, falando em Tolkien, vocês sabiam que amanhã é o Dia de Ler Tolkien? A não ser que ocorra algo excepcional, meu post amanhã vai ser sobre isso, então não deixem de passar por aqui!

O Hobbit

Terminei de ler ontem, e alias, muito boa leitura pra quem gosta de coisas leves, diferente do que se conhece de J.R.R.Tolkien.

Sim, o livro é leve e fluido, diferente de Senhor dos Anéis e Silmarilion, que em partes são leituras mais adultas mas muito mais truncadas e as vezes pesadas para quem simplesmente quer desanuviar os pensamentos do cotidiano.

Eu não só recomendo a leitura para quem está começando a se interessar pelo assunto, como ainda recomendo ler na seqüencia: “O Hobbit” > “Senhor dos Aneis” > “Silmarilion” > “Os Filhos de Hurin”.

Nota-se claramente quem muito do que acontece em SdA, ainda está apenas no plano das idéias no Hobbit.

Homenagem a Tolkien no Heroes V

Ontem eu estava jogando Heroes of Might and Magic V, na segunda campanha, e eis que encontro o seguinte herói:

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Para quem não se lembra, Gilraen é a mãe de Aragorn, na obra de JRR Tolkien. Foi ela quem disse  “Ónin i-Estel edain, ú-Chebin estel anin” (Dei esperança aos Dunedain, não fiquei com nenhuma para mim mesma – Estel, que quer dizer esperança, é um dos nomes de Aragorn).

No jogo, Gilraen é um elfo, aparenemente, do sexo masculino, embora eu não tenha certeza absoluta disso. Achei interessante encontrar a homenagem.

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Outro dia, fiquei achando que um dos dragões de Heroes V tinha um nome que aparecia numa música do Rhapsody, Elrath. Mas acho que devo ter me enganado, porque não achei nada que relacionasse esse nome às músicas da banda na internet, então vou ter que ouvir melhor a música em que tenho a impressão que esse nome aparece, e ver o que realmente é falado.

 

Um comentário sobre Aredhel

Eu postei isso, no meio de outras coisas, na lista da Toca São Paulo do Conselho Branco agora a pouco – e decidi copiar aqui para manter registrado. Vou editar algumas coisas, para fazer um pouco mais de sentido:

Nos idos de 2004/5/6 eu era absolutamente fascinada com a história da Aredhel – uma personagem de JRR Tolkien, que aparece na obra “O Silmarillion” –  por ela ter ousado sair de casa e seguir o seu próprio espírito livre mesmo morando no lugar mais bacana da Terra-Média da época, e como ela era altiva, livre, soberana e inquieta – inquietação era a palavra da Aredhel prá mim.

Naquela época, eu quem escrevi o verbete sobre ela no livro “Senhoras dos Anéis: Mulheres na obra de JRR Tolkien”, de organização da Rosana Rios, publicado pela Devir.  Lendo, deve dar para sentir que eu não fui muito imparcial, mostrei mesmo que gostava dela e os motivos pelos quais eu gostava e hoje, embora eu ainda ache esse um conto muito bacana, eu ão me identifico mais com a Aredhel como eu me identificava naquela época.
E essa identificação vinha muito da fase em que eu estava – de algum modo, a casa dos meus pais era minha Gondolin, e eu estava dando caminhadas prá cada vez mais longe e me tornando cada vez mais independente, e me sentia muito livre e segura de mim mesma – só que o meu lindo elfo ferreiro não é, definitivamente, um dominador sem noção como o Ëol, mas um cara que realmente me faz aprender muito a cada dia – e com o qual eu tenho um relacionamento muito bacana, de iguais e parceiros. Com meus quase 29, muito bem casada, e tendo que pagar as próprias contas, a Aredhel não é mais meu tipo de heroina preferida – e, de algum modo, eu realmente espero que quando eu tiver um filho eu saiba educá-lo para que ele não vire um Maeglin da vida.  No fundo, hoje eu acho que boa parte do que ela tinha não era liberdade e um espírito inquieto, era teimosia e arrogância mesmo. Duas características negativas contra as quais, aliás, eu luto todos os dias.

A imagem que ilustra esse post se chama “Ëol Welcomes Aredhel in His House” e foi pintada pelo fabuloso Ted Nasmith, que tem uma bela edição ilustrada d´O Silmarillion. Na sua primeira vinda ao Brasil, eu tive a deliciosa oportunidade de assistir uma palestra com ele, que é uma pessoa para lá de bacana. Tirei a imagem daqui.

Tolkien Toast 2013

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fui eu quem fiz essa montagem ontem 🙂 Que orgulho!

Toast, em inglês, quer dizer tanto brinde quanto torrada.  De acordo com a Tolkien Society:

No dia 03/01/1892 JRR Tolkien nasceu em Bloemfontein, África do Sul. Para celebrar esse evento, nesse dia todos os anos fãs de Tolkien ao redor do planeta são convidados a erguer um copo e brindar o aniversário desse autor muito amado. O brinde é “Ao Professor”.

Por mais incrível que possa parecer para alguém de fora, essa tradição é levada à sério. Inclusive em Mordor, quer dizer, São Paulo. Meu primeiro encontro da Toca São Paulo do Conselho Branco – Sociedade Tolkien, foi um 03 de Janeiro, no ano de 2004.  Esse era um encontro regular, mas o Thain da época, o Palan, explicou que era tradicional entre os fãs fazer um brinde nessa data, alguém arrumou copos descartáveis e um refrigerante barato, e todos brindamos “Ao Professor!”. O pessoal da Toca tinha marcado esse encontro no Centro Cultural São Paulo. Não sabiam que o local estaria fechado. Mais de cem pessoas participaram do encontro, que aconteceu na entrada principal do mesmo.

Foi uma experiência bizarra. Mas divertida. Eu estou no CB – e me importo com o Conselho Branco e a Toca São Paulo, até hoje. E, à partir do ano seguinte, independente do dia da semana, a Toca São Paulo passou a se encontrar para brindar com Milkshake de Ovomaltine, sempre no mesmo lugar. O Tolkien Toast virou uma de minhas tradições, junto com tantas outras. Confesso que não esperava muito do brinde desse ano – pela primeira vez nesses 9 anos trabalhei no dia, chegamos lá às 19:30. Pensei que não fosse encontrar quase ninguém lá dessa vez, mas tive uma agradável surpresa:

quase todas as pessoas que estavam no Tolkien Toast na hora que eu cheguei estão nessa foto, mais alguns que chegaram depois. Pouca gente saiu de lá antes que eu chegasse, até onde eu saiba…

Além de muitos amigos de longa e média data, que já brindaram conosco antes, haviam amigos que conhecemos durante esse ano, e… Novatos! Um grupo de três amigos, um dos quais trabalha comigo, foi para o brinde. Isso me deixou super feliz, até porque quem conhece a Toca em dia de Tolkien Toast costuma ficar! Já saiu até casamento 🙂 Pode parecer fatalista, bizarro ou sei-lá-o-que, mas o brinde desse ano me deixou mais esperançosa em relação às pessoas…

Enfim, após esses comentários, queria compartilhar uma mensagem, que a Débora “Valie”, da Diretoria Nacional do Conselho Branco postou no Facebook dela, e que eu perdi para colocar aqui:

Dia 3 de janeiro é aniversário de Tolkien.
E não dá pra passar batido.

12 anos atrás eu conheci O Senhor dos Anéis. Até então eu não podia imaginar que um livro poderia mudar e moldar a minha vida. A partir daí foi:
Conversar sobre livros com uma pessoa com quem talvez não tivesse conversado por outro motivo.
Ouvir músicas e conhecer bandas que talvez não chegasse a ouvir, e que guiaram meu gosto musical até hoje.
Me aventurar na internet em grupos de discussão e conhecer pessoas diferentes, expandindo meu círculo social.
Adotar um apelido que cresceu tanto e é tão parte de mim que hoje tem gente que acha que é sobrenome.
Fazer amizades que já duram quase 10 anos.
Conhecer pessoas que foram, deixaram de ser, ou continuam sendo muito importantes na minha vida.
Participar de encontros e perder a timidez por ter que discutir e me expressar entre os pessoas semi-desconhecidas, coisa que me ajudou profundamente até na apresentação dos TCCs.
Conhecer outros livros, outras músicas, outros jogos, outras séries e ter com quem discutir tudo isso.
Fazer intercâmbio do outro lado do mundo não pela língua, não pela cultura, não pelo povo, mas por ser a locação dos filmes.
E finalmente pedir licença do trabalho pra fazer a loucura de em 20 dias ir pra Europa com o simples objetivo de participar de um evento dedicado a esse homem. E por conta disso conhecer 3 países e diversas cidades.
O que me fez chorar ao ficar ao lado do túmulo desse autor não foi a obra. Não foram os hobbits e os elfos, ou a história de amor de Beren e Lúthien (ou John e Edith). Foi pensar nisso tudo, em como esse homem mudou a minha vida. Mudou a minha vida o suficiente pra, naquele dia, eu estar ali, ao lado do seu túmulo, a milhares de quilômetros de distância de casa, sozinha, mas com amigos já recém conquistados por causa dele.

Porque, simplesmente, se hoje eu sou quem eu sou, e minha vida é como é, é em grande parte por causa dele.

Nesse dia, todos os meus brindes são “Ao Professor!”

Eu abri um álbum no Picasa para as fotos do brinde que ficaram interessantes. Eu queria ter tirado mais fotos, já que as do ano passado ficaram maravilhosas, mas o pessoal não quis fazer muitas poses esse ano. E neste link, para o site da Tolkien Society é possível ver as manifestações enviadas pelos fãs ao redor do mundo, dizendo com o que cada um brindou e algumas mensagens para o evento.  A minha está lá, em algum lugar…

Gostou? Comente, compartilhe! Se eu achar alguma outra coisa interessante sobre o Tolkien Toast 2013 nos próximos dias eu atualizo esse post 🙂

Selinho